segunda-feira, 5 de março de 2018

Abstrato

Tremo por dentro. Vejo um vazio enorme nesta página . Tudo em branco. Aos poucos, letras, palavras e frases vão preenchendo cada espaço. Tudo escrito e nada dito. Ninguém lê os meus pensamentos, muito menos ouve aquilo que tenho para dizer. Se é que vou dizer.

É frustrante quando guardas e não consegues explodir. Se nem aqui, quanto mais a ti. Continuo a tremer. Nem sei o que escrever quando o que quero falar não consigo dizer diretamente, concretamente, sinceramente.

Logo, procuro o abstrato, pois é a forma , o caminho mais fácil , que consigo percorrer. Dizer tudo com um “porquê”, mas sem o “por quê”.

E ainda assim, tremo, pois o receio de conseguires interpretar tudo de forma concreta deixa-me assim. Logo, o que dizer? O que escrevo? Como escrevo? Como explicar a alguém o que sentes sem mostrar que estás a sentir?

Então, irei guardar para mim. Nós, humanos, somos assim , ou pelo menos eu sou. Nem tudo o que sentimos é demonstrado. Conseguimos ser atores sem interpretar, até que o meu papel é simplesmente sorrir.

Irei continuar na expetativa, pois dizem que quem liberta os medos desperta . Dizem? Ou já sou eu a dizer?

Como as dúvidas conseguem controlar o que escrevemos! Não querendo ir direto ao assunto, arranjo forma de o desviar. Digo coisas sem sentido, mas, ao ler, em cada palavra está tudo mais que dito.

Talvez já tenhas percebido. Olha para mim a sorrir . Não vês que estou a dar-te razão? Sim, termino com um ponto final, pois afirmo o que sinto. Afirmo que já o percebeste, mas irei continuar sem admitir.

Nem tudo tem de ser direto, pois vivo a minha vida de forma abstrata. Guardo o que é meu. Por isso vem ,vem e interpreta o meu papel. Sorri para mim e deixa-me ter a certeza daquilo que escrevo, pois, se leres, irás perceber tudo, tudo diretamente.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Oh mundo que tanto choras !


Oh mundo que tanto choras, dor e raiva a cada dia, já não inspiras felicidade, já não nos dás alegria. Muitos te imploram , outros te reclamam, eu simplesmente rezo, para que esses mesmos não te destruam.
És razão pra tristeza, motivo para desagrado, oh mundo que tanto choras, já não tens muitos a teu lado.
Os que querem não podem, os que podem não ajudam, se eu pudesse eu queria, mas não posso me acudam
Venha quem vier, nasça quem nascer, sei que existe alguém, alguém para te fazer renascer.
Enquanto vives à esperança, enquanto à esperança à que acreditar, oh mundo que tanto choras, sei que um dia vais parar de chorar.

domingo, 11 de setembro de 2011

Se...

Se um dia eu te quisesse sem ninguém me querer,
Se tivesse de gritar perante a multidão sem o silêncio incomodar,
Se compreendesse o quão difícil fosse descobrir-te mesmo sem te poder entender,
Se um dia eu não percebesse aquilo que me revelas e aparentas despertar.

E se não te tivesse beijado, mesmo sem te poder resistir,
Se olhasse um pouco em frente, sabendo do teu caminhar por detrás,
E se me escondesse do tão procurado que me fizesse fugir,
Se um dia eu te amasse, mesmo sem saber como é que se faz.

Se eu quisesse o infinito, mesmo que o mundo decidisse acabar,
Se acabasse com um começo e decidisse colocar um fim,
E se as estrelas se ocultassem e a noite deixasse de iluminar,
Se um dia tu fosses sem aviso e conseguisses sobreviver sem mim.

Se fosse possível, com o impossível, o tempo destruir,
Se me tocasses e parasses sem o tempo poder continuar,
E se a vida não fosse vida e tivesse de desistir,
Se um dia acordasse depois de um sonho e não tivesse a quem o contar.

Se eu te tenho, então os “se’s” deixarão de existir,
Se existirem, eu não existo para a oitava poder terminar,
E se, por acaso, o que não aconteça me impedir de conseguir,
Se acontecer, por acaso, o que na verdade não há de me deixar completar.

Se não me ganhar a mim mesmo e tu tiveres de vencer,
Se com a tua vitória os meus medos eu puder derrotar,
E se eu te amo, se é que me possas entender ,
Se um dia te perder, então é porque deixei de me encontrar.

domingo, 3 de julho de 2011

Ser eu

Não sou famoso, nem uma estrela como muitos se caracterizam. Não tenho que rubricar folhas e folhas, autografar perante a multidão, não sou palco de conversa nem de noticiários, não tenho que pousar para câmaras, enfim, não sou exclusivo, mas uma coisa é certa, SOU FELIZ. É simples, não tenho tudo o que o dinheiro pode comprar, mas tenho tudo o que o dinheiro não pode pagar. Sou feliz porque vivo, porque reconheço-me como pessoa, porque não preciso de ser estrela para brilhar na vida de alguém, porque felicidade não significa fama, porque fama não é tudo na vida, porque TUDO NA VIDA É SER EU, assim como sou. Se um dia atingir a fama, se vier a ser reconhecido por todos, uma coisa é certa, não vou deixar de ser eu, não me vou caracterizar diferente, apenas voltarei a escrever e mostrar-vos que não é assim tão difícil ser quem sou.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Imortal

Acredita que juro e confesso,
Público , mas não quero fazer publicidade ,
Pois é desta forma que escrevo e expresso:
Queria que em mim residisse a imortalidade.

Não sofrer em lágrimas desesperadas,
Em tudo e de tudo que não seja vontade,
Daquela partida e volta necessitadas
De tudo aquilo que nos faz sentir saudade.

A imortalidade talvez fosse a cura
De não aguentar e sofrer com tanta dor;
Pois, se ela existisse , simples ou pura,
Talvez não morresse de tanta saudade e por amor.

De peito e coração abertos, aqui estou,
Testemunhando que tudo isto é mesmo real.
Com um papel e lápis rabisco o que não sou,
O que mais queria eu ser: um ser imortal.

Mas, na verdade, eu não me arrependo;
Amo e reamo o que já me faz curar.
Sim, é desta forma que confesso e me rendo:
Tu és a cura, aquela que me faz ressuscitar.





quinta-feira, 10 de março de 2011

A resposta




Me perguntaram,


Não consegui responder


Tentava e tentaram


Não sabia o que me estava a acontecer.


Lágrimas, não me escorria,


Mas os meus olhos choravam


Azul brilhante, mas triste era aquele dia


Minhas forças de momento se desgastavam.


Aí eu próprio me perguntava,


Mas afinal o que se estava a suceder


O coração, gritando se deparava


Um sentimento galante estava prestes a engrandecer.


Por dentro tudo se agitava


Eu somente não me movia


Ardia enquanto ao mesmo tempo esfriava


Resposta não encontrava para o que sentia.


Como estátua querendo se mover,


Um Eu coberto de autoridade


Controlado pela força do inesperado poder


Transformando o meu ânimo em uma enorme tempestade.


Suspirava em toda a minha crença


Não compreenderia a razão


Será cura ou doença?


Apenas me dêem uma simples explicação.


Da escuridão vinha o som do medo


Determinado, estava prestes a aceitá-lo


O coração continha-o como segredo


Onde apenas eu poderia enfrentá-lo.


Até que de momento alguém aparece


Imóvel, esqueço o que perguntar


De instante o meu corpo enlouquece


Silenciosamente, a resposta parece ele me dar.


Não sei se estou arrependido


Apenas não foi o meu oportuno apetecer


Se hoje me sinto assim destemido


Unicamente o digo que o sinto sem querer.


Recuso qualquer promessa


Afinal, descobrirei ou não a resposta?


Tu és solução, espero que seja essa


Jamais acreditarei numa simples proposta.


Os meus ouvidos se rompêm


Enquanto a alma chora e eu desesperado,


É aí que os lábios dela me tocam e respondem


Sinceramente, tu estás APAIXONADO. :’)











quarta-feira, 9 de março de 2011

Eu poeta

Poeta enigmático
inventor das minhas próprias locuções
Sentimental naquilo que escrevo
Objectivo, liberar críticas e ocultas emoções.



Somenos àqueles lendários e eruditos poetas,
Aquém de um mesmo renascentista,
Razão da qual me libero ao escrever
Aqui nasce, idêntico, um admirável poeta actualista.


Não avalio um ser poeta,
Nem serei conhecedor de sua própria inteligência
Pois um bom poeta é aquele que o interioriza
E não aquele que só o vê pela aparência.




Não revelarei minha pessoa
Misterioso, serei sempre um oculto escritor
complexos serão sempre os meus poemas
Finalidade, aprazer o meu próprio leitor.