Tremo por dentro. Vejo um vazio enorme nesta página . Tudo em branco. Aos poucos, letras, palavras e frases vão preenchendo cada espaço. Tudo escrito e nada dito. Ninguém lê os meus pensamentos, muito menos ouve aquilo que tenho para dizer. Se é que vou dizer.
É frustrante quando guardas e não consegues explodir. Se nem aqui, quanto mais a ti. Continuo a tremer. Nem sei o que escrever quando o que quero falar não consigo dizer diretamente, concretamente, sinceramente.
Logo, procuro o abstrato, pois é a forma , o caminho mais fácil , que consigo percorrer. Dizer tudo com um “porquê”, mas sem o “por quê”.
E ainda assim, tremo, pois o receio de conseguires interpretar tudo de forma concreta deixa-me assim. Logo, o que dizer? O que escrevo? Como escrevo? Como explicar a alguém o que sentes sem mostrar que estás a sentir?
Então, irei guardar para mim. Nós, humanos, somos assim , ou pelo menos eu sou. Nem tudo o que sentimos é demonstrado. Conseguimos ser atores sem interpretar, até que o meu papel é simplesmente sorrir.
Irei continuar na expetativa, pois dizem que quem liberta os medos desperta . Dizem? Ou já sou eu a dizer?
Como as dúvidas conseguem controlar o que escrevemos! Não querendo ir direto ao assunto, arranjo forma de o desviar. Digo coisas sem sentido, mas, ao ler, em cada palavra está tudo mais que dito.
Talvez já tenhas percebido. Olha para mim a sorrir . Não vês que estou a dar-te razão? Sim, termino com um ponto final, pois afirmo o que sinto. Afirmo que já o percebeste, mas irei continuar sem admitir.
Nem tudo tem de ser direto, pois vivo a minha vida de forma abstrata. Guardo o que é meu. Por isso vem ,vem e interpreta o meu papel. Sorri para mim e deixa-me ter a certeza daquilo que escrevo, pois, se leres, irás perceber tudo, tudo diretamente.
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